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riscos_e_rabiscos

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Cenas de autocarro #3

Carregada que nem uma mula, entrei no autocarro e instalei-me nos bancos traseiros. Ia a apreciar a paisagem de todos os dias distraidamente, quando começo a ouvir pedaços de uma conversa telefonica.

 

A mulher falava com alguém (provavelmente outra mulher) acerca da vida marital de uma terceira mulher. Comentava que se "já não dava, que saltasse fora, disse-lhe eu a ela" e acrescentava que "ela não se sente bem, como aconteceu com a fulana de tal". Pela conversa, tanto a fulana de tal como a terceira mulher, tinham uma péssima vida com os companheiros: eram vítimas de violência doméstica. Parece que as bestas dos maridos lhes arreavam forte e feio pois ao relatar o que eles faziam às mulheres e as marcas que deixavam, baixou a voz de uma forma quase imperceptivel.

 

Começou a relatar, em seguida, como a fulana de tal voltou a ser feliz na vida e no casamento. Qual o remédio santo. Ao que parece a fulana de tal, viu numa revista um contacto precioso: um daqueles "professores" que tratam de todos os problemas, inclusivé dos problemas inexplicáveis.

Impressionada com os excelentes resultados obtidos pela fulana, comentava com a amiga do telefone que a terceira mulher também poderia recorrer do mesmo "remédio santo". Bastava ver o contacto na revista e ligar para lá para saber quanto eram as consultas e os tratamentos. E que até faziam os pagamentos por mensalidades.

 

Tudo bem até aqui. Cada um tem as suas crenças e cada um sabe de si. Só acho estranho conseguir-se tratar o flagelo da violência doméstica com tratamentos de "professores" dos problemas inexplicáveis com um estalar de dedos. Será que terá sido este o remédio santo? Que vos parece? Really intriguing...